A história que vos vou contar parece não ter qualquer senso comum mas as narrativas que contam histórias comuns cansam os olhos e fazem-nos adormecer cedo, não nos aquecem nem nos arrefecem. Tenho uma história, virada do avesso como a roupa que aquando antes de vir escrever e passei pelo corredor teimava em continuar a lavar e são umas três putas horas e vinte e quatro cabrões minutos da madrugada desgraçada que me fez chegar a casa. E as luzes já foram e não sei porquê continuo a ouvir alguém a chamar-me mas sinceramente não quero ir, já não estou para isso, cansei-me de jogar à sueca e ter de assistir a duques e ainda por cima de trunfo. Já não me preciso debaixo da pressão, necessito-me apenas para mim mesmo mas isso agora não interessa nada, não é?
Vai parecer contraditório ao título mas realmente esta história que vos trago deste mês e tal faz mais sentido do que parece, não será que as histórias só fazem sentido no fim, devia ser assim, devíamos começar ao contrário, assim do nada, só para ser de repente, e como sou eu que tenho o poder de construir este conto dou-me por satisfeito de vos apresentar um todo por metades como uma laranja, que me apetece agora, estou farto de ter limão no copo.
Os episódios que se seguem não têm qualquer ordem cronológica.
Episódio - A idade de um anjo.
Anjo só se for de nome, tenho quase por certeza de que aquele fez à muito um pacto com aquele que ao pronunciar-se o nome as beatas lá da paróquia tremem e gesticulam o terço e toda a sagrada trindade, vejo-lhe um olhar discriminatório e dissimulado, não lhe vou com a cara e muito menos com a alma. Lá era dia do tal completar mais um aniversário e aqui e ali o convite surge, as pessoas animam-se para mais uma farra regada de intrigas e álcool, mais uns olhares indiscretos aqui e ali, monta-se todo o cenário. A outra ansiosa, nervosa, como uma fiel Labrador de língua de fora. Sucedem-se os boatos e não sobejam as histórias que no facto e no acaso são verdade, numa a outra ida à sala de chuto, não se chuta só para dentro, chuta-se muito mais do que bolas para fazer golo, num jogo batoteiro aponta-se às costas do guarda-redes, estou mesmo farto dos mexericos do Uni-Hotel, parte-se um copo no quinto andar e todo o R/C (seja o esquerdo ou o direito, não interessa muito) já o sabe.
Insinuam-se olhares sejam eles de cumplicidade, de rancor, de flirts instantâneos ou de pura especulação, vejo tudo isso do canto da cozinha, não me apetece misturar, o ar está pesado e mal cheiroso, mas há que fazer a pose, sorrir ao esperar o flash.
E afinal que idade tem um Anjo? Esqueci-me, não acompanhei, também não fiz questão de lembrar, não acompanhei o soprar das velas em câmara lenta, ainda vim ao corte do bolo, de um abraço meio assim inusitado. Cheguei também a tempo de evitar a ira que no dia seguinte certamente figuraria na abertura do Telejornal se o Uni-hotel o tivesse. Voa um copo de uma das três convidadas não chamadas para o efeito, só podiam ser amigas daquela que me põe os nervos em franja, lá acalmei a fera, que se chorava do vinho na camisola nova onde tinha dispensado alguns dos tostões da algibeira, lavando eu próprio a camisola à mão, às vezes penso que mereço um céu estrelado visto sob o olhar de um cúmplice de emboscadas.
Até já se fazia tarde, o outro fazia birra no quarto numa de se fazer difícil até tinha razões para tal pois a noite até à altura lhe custava rugas de expressão mas também quem anda à chuva molha-se lá diz o povo ...
Fomos em conjunto colectivo de pessoas, umas mais que as outras, há que colocar a verdade e não mentir para não sofrer castigo, em direcção a mais uma noite de risos sinceros que até mentem e danças e contradanças.
Cheguei o outro andava a dormir e a caçar ratos como se diz na minha terra, se continuar a ter rio é a minha de certeza mas nunca fiar pois com as notícias que me chegam qualquer dia regresso de um de repente e não o tenho.
Se os anjos tivessem idade não eram anjos, é à conclusão que chego, básica mas possível a estas horas.
Episódio - Choram os meus olhos, sucedem-se alecrins aos molhos.
Estás quase no quase de te ires embora, não vou mentir que secretamente muitas vezes desejei que o quase fosse imediato, agora os meus olhos enchem-se de lágrimas a ver-te na fila do Check-In, sou uma merda de gente, desfaço-me em qualquer grãozinho de emoção. Deste-me um abraço depois de te dizer vamos lá a isto, a ser rápido para não doer muito como as injecções, sangue brotava de mim mesmo, não olhava os olhos de Patti e nem ela os meus para não ser mais escandalosamente brutal este abrir mão de quem teimava em amargurar e acabei por tanto gostar, parte-se-me o coração em metades, como gomos de laranja, agora já não me apetece mais laranjas, agora só me apetece estar mergulhado neste meu sombrio intimo que já não me apetece mostrar a ninguém. Agora vai lá, e pára de dizer adeus como um fantoche em finais de carreira, não faças doer mais do que já está a ser. Até um dia destes em que te reverei num sorriso e vai pela sombra porque às vezes o sol queima demasiado.
Episódio - Ter vida nas mãos quase morta...
Pah a minha vontade era de te dar um estalo na tromba, nessa mesma que agora ri nervosamente e que me intentou vigorosamente a sair da cama no dia de hoje, a ter de ver a luz do sol, de ter de falar com pessoas, quando tudo o que eu queria era não sair da cama e instalar-me na minha própria solidão que me afoga numa depressão que parece não ter fim, choram-me os olhos mas não te mostro porque o meu olhar não sabe mentir e iria dizer-te o quanto me apetece mandar-te à merda.
À uma coisa de intantes tinha o volante nas mãos e estava seguro, os teus olhos sorriam a falar do Diabo, já andava farto da merda dessa conversa que insistias dizer que era a brincar, queria voltar a casa e como já estava a ver toda a minha vida andar para trás porque insistias em não te calar e em fazer alguma coisa, não estavas satisfeita em deixar o dia por si só peguei no carro para voltar ao Uni-Hotel.
O meu coração bate, bate e torna a bater, mostra-me que vivo está, não vi nada no olhar durante uns segundos que me pareceram uma eternidade enquanto ouvia os teus gritos histéricos à medida que o carro voava da ravina quando saiu fora da estrada em velocidade considerada tudo porque queria travar e enganei-me no pedal.
Preciso de fumar um cigarro, o que tu precisas sei eu bem, inspeccionei o carro depois de verificar que contigo estava tudo bem e que miraculosamente te tinhas calado, o carro nem parecia ter voado, nem um arranhão, fiquei parvo, quer dizer não, só pode ter sido a mão de Deus.
Agora deixa-me em casa e não me digas mais nada, só me apetece regressar à minha almofada, ao meu sombrio descontentamento e deixa-me tu e tudo o resto, só por uns momentos que já fico agradecido pois o meu copo está vazio e eu também tenho sede mesmo que já não exista sol depois de tudo ter passado porque felizmente tudo um dia passa.
Esta história não acaba aqui ...
terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008
Notícias
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É verdade eu sei que não tenho vindo postar (este novo verbo na Língua Portuguesa, ou não) mas não é só falta de tempo, não é falta de notícias, não é porque não gosto de vocês é simplesmente porque não tenho andado nos melhores dias e este mês foi um inferno como brevemente relatarei.
Por isso resta-me despedir por agora e prometer que na próxima semana haverá mais do que uma capa de revista ...
Um beijo e abraço, respectivamente, André Campos
segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008
Respirar Lisboa
Não tive fila nenhuma para o check-in, aliás, caí lá quase de pára-quedas, simpatizei logo com a hospedeira de terra, muito simpática, com graça perguntei-lhe onde se podia fumar, o aeroporto de Viena ainda é daqueles que se pode fumar disse-me ela, aconselhando-me a ir à rua do que às salas de chuto, depois ainda ficámos ali a conversar um bom bocado, ela é daquelas pessoas que encontrei e os nossos olhares funcionaram mesmo mas despedi-me dela e fui comer qualquer coisa, os nervos de estar apenas a algumas horas de Lisboa deram-me para ir comer. Estive lá ainda um bom bocado, sem perceber muito bem porque é que o gajo da mesa da frente não parava de olhar para mim, fumei um cigarro e pôs andar-me. Ainda tinha de comprar os ímans de Viena que deixei mesmo para a última hora, não os tinha comprado da primeira vez que cá tinha estado devido ao preço impraticável a que se vendem em Viena, até agora foram os mais caros que vi, de qualquer maneira entre umas voltas e mais outras fui fumar mais um cigarro, lá fora, encontro de novo a minha querida nova amiga e ficámos ali a conversar os dois sobre um pouco de tudo e também um pouco de mão cheia de um nada ao acaso. Sim agora era de vez, mostrei o cartão de embarque e o BI e vamos lá que se faz tarde. Fui primeiro comprar os ímans, ainda mais caros do que o previsto por isso comprei só dois que era para quanto me davam os euros que ainda me sobejavam na carteira, repeti para mim mesmo eu não comprei isto ao preço que comprei pois não mas lá assenti e disse promessa é promessa. De um nada começo a ver um português aqui e ali, vi-os através de um outro sentido a audição, o meu coração a partir desse momento palpitava cada vez mais, parecia uma criança em dia de visita ao circo, eu sempre adorei o circo, depois até vi o nosso pretendente à coroa se fossemos uma monarquia, não fazia ideia é que ele depois iria no mesmo voo do que eu mas isso é só para mais daqui a pouco.
Sentei-me a ler, já tinha lido aquela revista de trás para a frente e quase já sabia as páginas de cor sem ter de as ver, quando reparo que estava sentado no meio de uma equipa húngara de um qualquer desporto que não sei bem, perfeitamente identificados pela dupla cruz símbolo da nação e pela língua que contava piadas e assobiava às miúdas giras que passavam que também me distraía da leitura para ver a selecção dos mesmos! Ainda faltava, ouvia português aqui e ali, distraía-me a enviar SMS a dizer que faltava para chegar, a minha mãe ansiosa mandou o meu irmão Tiago a saber se estava a chegar e ainda faltava toda uma viagem. A verdade é que quanto menos parece faltar o tempo faz-nos ficar mais e mais apartados do que nos vai fazer encontrados.
A viagem correu sem incidentes de maior, ouvia no mp3 Beatriz na versão da Maria João e do Mário Laginha quando acordei de um leve sono, sobressaltado, ao longe ouvi que o piloto falava aos passageiros, não percebi nada a não ser que podíamos observar Barcelona, olhei para o relógio e faltava meia hora para a hora que estava estipulado aterrar, pensei, o voo está atrasado e foi isso que ele disse pois se ainda estávamos a sobrevoar Barcelona, pah roguei não sei quantas pragas ao piloto e já imaginava o J. a rogá-las a mim por estar à minha espera no aeroporto, só mesmo quando aterrei é que percebi que não tinha alterado o relógio, para os meus botões pedi desculpa ao piloto, depois corri para as malas, telefonei à Patti como havia prometido, disse à minha mãe que já estava a caminho, falei com a Foca até me chegarem as malas à frente, despedi-me dos húngaros, que nem a sair da Hungria me largam, com um valente Sziastok, respiro fundo, conto até três e lá vou eu, sorrio escancaradamente para o J. e depois ele responde-me tanto tempo, obviamente referindo-se ao tempo que esperei pelas malas, e disse-lhe olhando para o relógio quase três meses... Já ia a caminho da minha mãe, abri escandalosamente a janela enquanto o J. protestava de frio, respondi-lhe que ele sabia lá o que era frio, cheguei a casa e a minha mãe já ia para as lágrimas quando abriu a porta e a minha irmã saltava para me abraçar, interrompi-lhe a cena digna de um Óscar com um beijo e a dizer que não era preciso tanto, tempo de presentear o meu padrasto com um excelente vinho, os ímans para a minha mãe e ver o Tiago pois o Daniel lá andava na sua, já ia-me sentar à mesa para jantar fora de horas quando percebi que não havia cozido para ninguém, reclamei claro está mas ficou para depois. Rumei a casa e a Clau ligou-me, fomos até Alcântara ao telefone, ainda pouco tinha falado com o J., percebi que estava triste, mas o telefone não parava, já não estava habituado. Tinha pressa de subir no elevador, correr casa adentro e abrir a janela que dá para a varanda e puxar de um cigarro e ficar com os olhos em lágrimas a ver o rio, a ponte iluminada, o Cristo-Rei ao fundo de braços estendidos e quase toda a Alcântara a desfilar nos meus olhos.


Na mesma seria tarde se fosse cedo, as palavras têm esse poder de construir o tempo, de o moldar na sombra dos ponteiros do relógio. Se soubesse que já ia alta a noite e a manhã quase a existir jamais teria despido a roupa que o calor colou ao meu corpo, não teria deixado que as tuas mãos me envolvessem os sentidos. Agora não é tarde para fazer o luto de uma memória como lhe chamas, não é cedo para chorar um estranho amor que começou num sorriso.
Sonhei dividir o teu corpo nas horas que se disolviam nas brumas da memória mas não passou de uma nostalgia que o veneno do teu beijo apagou. Envenenaste tudo o que sabia sobre o amor, também, tudo o que sabia era frágil à luz do dia de hoje porque quando um amor é de verdade o coração bate mais forte
Já tenho as malas à porta, faltam-me pequenos apontamentos para elas seguirem, olho ao espelho mais uma vez esta manhã pintada a sépia, esta imagem fica para um dia mais tarde voltar a lembrar. Olho-te, tu ainda dormes e eu odeio acordar-te para ter de te dizer adeus, agarras a minha almofada como se fosse tudo o que sou, deixo-te o meu cheiro, as minhas últimas noites mal dormidas, os meus sonhos mais frescos que as notícias do dia de hoje nos matutinos. Que farás com isso tudo?
Peço-te, por favor, para acordares e apenas sorrires e me abraçares e dizeres que me esperas até ao dia que eu não sei se voltarei.
Daqui a pouco deixo-te para seguir as nuvens e me deixar perder tudo, novamente, para voltar a ganhar.
Tenho o coração partido, em partículas de coisa alguma, ferido a fogo, ninguém sabe o quanto ele sofre desde a nossa última dança, nas pontas dos pés, rodando como a baiana, rebolando pela areia macia torrada pelo sol. E mais uma vez, ninguém sabe como eu me sinto ... Desde que dancei contigo, já vai muito tempo num baile de primavera intemporal, parada numa redoma de cristal, caída e esquecida numa noite dessas mais.
Vou tentar de novo, abrir os pulmões e inspirar todo o oxigénio que conseguir para depois balançar e expirar o que não presta. Vou limpar os meus olhos e plantar um sorriso no meu olhar, simplesmente, para que desta vez consiga tentar de novo.
Tu ainda não acordaste do teu sonho e eu tenho de partir por mais que me espante o quanto é de facto difícil.
Sou do destino como sei, cantei a minha vida nos acordes de uma guitarra deixando os dedos calujados ao passar pelo caminho. Vivi um soneto que eu próprio escrevi aquando a luz da vela me queimava a franja dos cabelos. Fui plantado nas mesmas raízes que vós, tenho a mesma folha que cai no Outono, só não sei como o meu coração sangra quando chega o Inverno. Porque deixa ele de correr? Independência? Fulgor? Sem vocês não haveria este fado, porque só quem carrega no peito amarga dor é que pode partir, assim como eu parto agora, para não saber se vou voltar.
Afinal, voltei, nunca tinha publicado este texto porque prometi a mim próprio que o fazia se voltasse a Lisboa, quando parti, ia magoado, triste, com esperança de resolver esta estranha forma de vida que corria o meu ser e os meus perdidos dias em Lisboa.
A Lisboa que amo tinha-me cravado a ferro e fogo esta tatuagem, este rótulo de não mais querer ser feliz, precisava de perder tudo para voltar a ganhar, corajosamente, foi o que fiz, doeu muito até voltar aqui outra vez, mas agora olho para Lisboa com todo um olhar novo, que desafia, que é forte e tenaz. Se ganhei? É a essa pergunta que os meus dias até voltar de novo vão responder.
Sentei-me a ler, já tinha lido aquela revista de trás para a frente e quase já sabia as páginas de cor sem ter de as ver, quando reparo que estava sentado no meio de uma equipa húngara de um qualquer desporto que não sei bem, perfeitamente identificados pela dupla cruz símbolo da nação e pela língua que contava piadas e assobiava às miúdas giras que passavam que também me distraía da leitura para ver a selecção dos mesmos! Ainda faltava, ouvia português aqui e ali, distraía-me a enviar SMS a dizer que faltava para chegar, a minha mãe ansiosa mandou o meu irmão Tiago a saber se estava a chegar e ainda faltava toda uma viagem. A verdade é que quanto menos parece faltar o tempo faz-nos ficar mais e mais apartados do que nos vai fazer encontrados.
A viagem correu sem incidentes de maior, ouvia no mp3 Beatriz na versão da Maria João e do Mário Laginha quando acordei de um leve sono, sobressaltado, ao longe ouvi que o piloto falava aos passageiros, não percebi nada a não ser que podíamos observar Barcelona, olhei para o relógio e faltava meia hora para a hora que estava estipulado aterrar, pensei, o voo está atrasado e foi isso que ele disse pois se ainda estávamos a sobrevoar Barcelona, pah roguei não sei quantas pragas ao piloto e já imaginava o J. a rogá-las a mim por estar à minha espera no aeroporto, só mesmo quando aterrei é que percebi que não tinha alterado o relógio, para os meus botões pedi desculpa ao piloto, depois corri para as malas, telefonei à Patti como havia prometido, disse à minha mãe que já estava a caminho, falei com a Foca até me chegarem as malas à frente, despedi-me dos húngaros, que nem a sair da Hungria me largam, com um valente Sziastok, respiro fundo, conto até três e lá vou eu, sorrio escancaradamente para o J. e depois ele responde-me tanto tempo, obviamente referindo-se ao tempo que esperei pelas malas, e disse-lhe olhando para o relógio quase três meses... Já ia a caminho da minha mãe, abri escandalosamente a janela enquanto o J. protestava de frio, respondi-lhe que ele sabia lá o que era frio, cheguei a casa e a minha mãe já ia para as lágrimas quando abriu a porta e a minha irmã saltava para me abraçar, interrompi-lhe a cena digna de um Óscar com um beijo e a dizer que não era preciso tanto, tempo de presentear o meu padrasto com um excelente vinho, os ímans para a minha mãe e ver o Tiago pois o Daniel lá andava na sua, já ia-me sentar à mesa para jantar fora de horas quando percebi que não havia cozido para ninguém, reclamei claro está mas ficou para depois. Rumei a casa e a Clau ligou-me, fomos até Alcântara ao telefone, ainda pouco tinha falado com o J., percebi que estava triste, mas o telefone não parava, já não estava habituado. Tinha pressa de subir no elevador, correr casa adentro e abrir a janela que dá para a varanda e puxar de um cigarro e ficar com os olhos em lágrimas a ver o rio, a ponte iluminada, o Cristo-Rei ao fundo de braços estendidos e quase toda a Alcântara a desfilar nos meus olhos.


Na mesma seria tarde se fosse cedo, as palavras têm esse poder de construir o tempo, de o moldar na sombra dos ponteiros do relógio. Se soubesse que já ia alta a noite e a manhã quase a existir jamais teria despido a roupa que o calor colou ao meu corpo, não teria deixado que as tuas mãos me envolvessem os sentidos. Agora não é tarde para fazer o luto de uma memória como lhe chamas, não é cedo para chorar um estranho amor que começou num sorriso.
Sonhei dividir o teu corpo nas horas que se disolviam nas brumas da memória mas não passou de uma nostalgia que o veneno do teu beijo apagou. Envenenaste tudo o que sabia sobre o amor, também, tudo o que sabia era frágil à luz do dia de hoje porque quando um amor é de verdade o coração bate mais forte
Já tenho as malas à porta, faltam-me pequenos apontamentos para elas seguirem, olho ao espelho mais uma vez esta manhã pintada a sépia, esta imagem fica para um dia mais tarde voltar a lembrar. Olho-te, tu ainda dormes e eu odeio acordar-te para ter de te dizer adeus, agarras a minha almofada como se fosse tudo o que sou, deixo-te o meu cheiro, as minhas últimas noites mal dormidas, os meus sonhos mais frescos que as notícias do dia de hoje nos matutinos. Que farás com isso tudo?
Peço-te, por favor, para acordares e apenas sorrires e me abraçares e dizeres que me esperas até ao dia que eu não sei se voltarei.
Daqui a pouco deixo-te para seguir as nuvens e me deixar perder tudo, novamente, para voltar a ganhar.
Tenho o coração partido, em partículas de coisa alguma, ferido a fogo, ninguém sabe o quanto ele sofre desde a nossa última dança, nas pontas dos pés, rodando como a baiana, rebolando pela areia macia torrada pelo sol. E mais uma vez, ninguém sabe como eu me sinto ... Desde que dancei contigo, já vai muito tempo num baile de primavera intemporal, parada numa redoma de cristal, caída e esquecida numa noite dessas mais.
Vou tentar de novo, abrir os pulmões e inspirar todo o oxigénio que conseguir para depois balançar e expirar o que não presta. Vou limpar os meus olhos e plantar um sorriso no meu olhar, simplesmente, para que desta vez consiga tentar de novo.
Tu ainda não acordaste do teu sonho e eu tenho de partir por mais que me espante o quanto é de facto difícil.
Sou do destino como sei, cantei a minha vida nos acordes de uma guitarra deixando os dedos calujados ao passar pelo caminho. Vivi um soneto que eu próprio escrevi aquando a luz da vela me queimava a franja dos cabelos. Fui plantado nas mesmas raízes que vós, tenho a mesma folha que cai no Outono, só não sei como o meu coração sangra quando chega o Inverno. Porque deixa ele de correr? Independência? Fulgor? Sem vocês não haveria este fado, porque só quem carrega no peito amarga dor é que pode partir, assim como eu parto agora, para não saber se vou voltar.
Afinal, voltei, nunca tinha publicado este texto porque prometi a mim próprio que o fazia se voltasse a Lisboa, quando parti, ia magoado, triste, com esperança de resolver esta estranha forma de vida que corria o meu ser e os meus perdidos dias em Lisboa.
A Lisboa que amo tinha-me cravado a ferro e fogo esta tatuagem, este rótulo de não mais querer ser feliz, precisava de perder tudo para voltar a ganhar, corajosamente, foi o que fiz, doeu muito até voltar aqui outra vez, mas agora olho para Lisboa com todo um olhar novo, que desafia, que é forte e tenaz. Se ganhei? É a essa pergunta que os meus dias até voltar de novo vão responder.
Viena - Take 2
Tinha tomado banho, fiz o minímo barulho possível para não acordar nínguem, tentei não acender as luzes, andava pé ante pé e assim quinze minutos antes da hora marcada com La Patti na entrada do Uni-Hotel desci. Deve ter sido nesse curto de espaço, cá fora, enquanto fumava um cigarro que apanhei a constipação que tenho a esta hora que vos escrevo, pinga-me o nariz como uma torneira a precisar de reforma, com cada espirro que parece um valente sopro de vento.
O chão era gelo, quase fiz patinagem artística até chegar ao carro de La Patti e colocar as malas na parte de trás do mesmo. Ela só me dizia vê lá se não partes uma perna, aquilo enervou-me porque ela tinha estado assim a semana toda, a dizer sempre a mesma frase, percebi que estava nervosa, estamos praticamente todos os dias juntos, fazemos tudo juntos e agora são duas semanas longe um do outro, quando sei que os meus inimigos sonham com o meu não regresso, sei que os que amam por aqui sofrem por antecipação a uma coisa que não vai acontecer.
Já faltava pouco tempo, o anúncio do comboio já havia interrompido a conversa nervosa que tinhamos, não sei antes termos apanhado um susto na estação com um cigano que vai perguntar-me as horas a ver se me roubava uma das malas. Pronto, demos um beijinho e entrei para o comboio, tinha uma fofa sentada no meu lugar mas não estava na disposição de fazer uma figura rídicula para obter o meu lugar, de qualquer forma acho que é uma falta de respeito o que ela fez, lá eu fiquei sem direito à janela.
O comboio ia assim povoado de gente que como eu tinha acordado cedo ou até não dormido, com uns velhotes a fazerem da carruagem o parque de campismo com o seu repasto, para não os ouvir meti os auscultadores e como não tinha dormido o meu corpo pedia-o, apenas estava preocupado de adormecer e depois ficar lá e não apanhar o comboio para Viena mas adormeci e acordei a tempo de ir apanhar o outro comboio. Ainda fui trocar dinheiro para tê-lo em Viena, isto realmente de estar à dois meses e meio sem cartão bancário dá comigo em doido. E o que ainda mais dá comigo em doido é esta estação de combios em Budapeste, Keleti pu, é a versão alargada do hospital dos malucos com direito a transmissão em directo todos os dias do natal dos hospitais, então, não é que um gajo quando vou para ir trocar dinheiro mete-se entre mim e a porta, impedindo-me de entrar, nem sei o que queria só lhe mandem um berro que funcionou de duas maneiras, uma de ele se afastar e a outra colocou-o a praguejar não sei o quê em húngaro.
Vi a linha de onde o comboio partia e dirigi-me para lá, tirei o lanche que tinha preparado de véspera e comi qualquer coisa, agora sempre em frente a caminho de Viena, só faltava uma paragem para chegar finalmente ao destino. Tinha tido todos os sonhos e mais alguns durante a semana anterior devido à epopeia que ia fazer mas que não se justificaram, quer dizer, eu estava nervoso, apenas isso, achei-me estúpido por tanto alarido.
A caminho de Viena, no comboio, ia com a mente mergulhada numa fantasia que me fazia perder pela paisagem, sentia-me a voar para tão longe que não reconheci qualquer terra por onde passei nesse sonho acordado.
Finalmente cheguei à estação, parei para um cigarro e telefonar ao meu amigo Pablo, ele disse-me para nos encontrarmos na entrada do metro que ficava na estação, vinha a caminho, no entretanto fiquei a observar as pessoas e continuei com aquele sorriso estúpido na cara, restos de sonho ainda.
Entretanto ele chegou, vinha ensonado, olhámos um para o outro nevosos, com uma estranha expectativa nos olhos, havia uma magia no ar que nos cortava o som das palavras, perdi-me pelos olhos bondosos dele, pela face meiga, depois deixei-o ainda mais nervoso quando lhe perguntei que tens, algum problema, ele respondeu-me que não mas havia aquele misto de nos querermos encontrar e ao mesmo tempo de fugir. O nervoso era tanto que eu esquecera-me de falar fosse português, portunhol ou castelhano, falava inglês como se não houvesse amanhã, ele também já se confundia todo, assim continuávamos rumo à residência dele pelo metro. Saímos do metro e ele perguntou-me se queria apanhar o tram ou se queria ir cinco minutos a pé, escolhi irmos a pé, gosto assim de andar no meio da gente, de aproveitar cada passo rumo ao desconhecido mesmo que sejam com duas malas de grande porte e pesadas que ele gentilmente se prontificou a ajudar-me a carrega-las. Entrámos na residência, no elevador depois, um cheiro a beijo no ar, um toque leve nos lábios para o ardor que depois se iria fazer sentir sem qualquer surpresa entre quatro paredes e uma cama.
Largámos as malas num canto qualquer do quarto, demorei-me a olhar para o meu redor, era inevitável queríamos entregar-nos um ao outro, sem pressa, nos braços dele experimentei a leve sensação de me encontrar mais perto de casa, de sentir finalmente um abrigo Ibérico, acho que ele sentiu o mesmo pois o ditado está velho quando diz que de Espanha nem bom vento nem bom casamento, as picardias Ibéricas, agora, resolvem-se num solero vadio de fado e se trouxer o vento e com ele o casamento ainda melhor.
Depois do sexo, há sempre a fome, uma sem a outra não vivem, há uma certa combinação, um certo ritual que deve ser mantido e preservado. Fomos a caminho do supermercado, depois cozinhámos, ele perguntou-me o queria fazer, disse que poderíamos ver um filme, com tanto sonho e não tinha dormido ainda, estava com saudades de Almodovar da sua visão e foi por aí que nos decidimos. Adormeci, quando acordei já eram horas do jantar, mais uma entrega, mais fome, cozinhei, fomos jantar e dava gosto vê-lo comer, nunca tinha visto ninguém comer tanto na minha vida, olhava para ele e dizia mas tu não vais conseguir comer isso tudo em tom de desafio, a verdade é que foi.
Fomos para ir a um bar, acabámos por entrar num e sair porque não tínhamos lugar para nos sentar e depois como saímos tarde de casa e o metro iria fazer a sua última viagem dentro de pouco tempo, decidimos voltar para casa. Mais um filme, mais uns beijos e caí redondo a dormir ao lado dele. Acordámos a horas impróprias, numa sede de entrega mais uma vez, de libertação estando cada vez mais preso, num beijo voltámos a dormir, acordei pouco tempo depois, dormitei mais um pouco, olhei para o tecto, vi a luz cinzenta a entrar pela janela do quarto, apeteceu-me fumar, sair da cama mas o corpo dele continuava ao meu lado a dormir sereno, não queria entrar nos sonhos dele, apetecia-me somente dar uma volta, por isso, ligeiramente acordei-o, queria que ele não perdesse o sorriso que ostentava e por isso de leve disse-lhe que ia tomar um banho e que depois ia dar uma volta, ele advertiu-me que tudo estaria fechado mesmo assim queria ir e fui.
As ruas estavam vazias, eram poucos os carros, as pessoas amiúde acordavam, os trams passavam quase vazios, era a manhã de um domingo cinzento a ameaçar chuva pois assim o vento soprava em todas as direcções, enfiem-me num café, fiquei ali a ler jornais e depois dei uma volta pelas redondezas, depois fui comer qualquer coisa, ainda tive tempo de telefonar ao Guilherme para saber as últimas novidades e lhe contar como estava feliz por ir voltar a casa, fiquei com o coração nas mãos mas também contente quando ele me disse que ia para a Palestina fazer uma reportagem.
Liguei-lhe para ele me abrir a porta, ele ainda estava a dormir, veio, ficámos a ver o tempo passar um bocadinho, eu a escrever, ele a estudar, depois ele almoçou eu não quis já tinha comido à pouco tempo, depois a Filipa ligou-me, estive a falar com ela, de seguida vimos um filme e num nada já eram horas de rumar ao aeroporto.
Apanhámos um tram, depois apanhámos o metro, tirámos o bilhete que ele com tanto cuidado fez questão de me explicar tudo, fizemos tempo à espera do comboio que passava pelo aeroporto, deu-me um beijo de despedida e eu cheguei ao aeroporto. Mandei-lhe uma mensagem a agradecer o dia fantástico que passei na companhia dele e com a esperança de o rever em breve despedi-me.
O chão era gelo, quase fiz patinagem artística até chegar ao carro de La Patti e colocar as malas na parte de trás do mesmo. Ela só me dizia vê lá se não partes uma perna, aquilo enervou-me porque ela tinha estado assim a semana toda, a dizer sempre a mesma frase, percebi que estava nervosa, estamos praticamente todos os dias juntos, fazemos tudo juntos e agora são duas semanas longe um do outro, quando sei que os meus inimigos sonham com o meu não regresso, sei que os que amam por aqui sofrem por antecipação a uma coisa que não vai acontecer.
Já faltava pouco tempo, o anúncio do comboio já havia interrompido a conversa nervosa que tinhamos, não sei antes termos apanhado um susto na estação com um cigano que vai perguntar-me as horas a ver se me roubava uma das malas. Pronto, demos um beijinho e entrei para o comboio, tinha uma fofa sentada no meu lugar mas não estava na disposição de fazer uma figura rídicula para obter o meu lugar, de qualquer forma acho que é uma falta de respeito o que ela fez, lá eu fiquei sem direito à janela.
O comboio ia assim povoado de gente que como eu tinha acordado cedo ou até não dormido, com uns velhotes a fazerem da carruagem o parque de campismo com o seu repasto, para não os ouvir meti os auscultadores e como não tinha dormido o meu corpo pedia-o, apenas estava preocupado de adormecer e depois ficar lá e não apanhar o comboio para Viena mas adormeci e acordei a tempo de ir apanhar o outro comboio. Ainda fui trocar dinheiro para tê-lo em Viena, isto realmente de estar à dois meses e meio sem cartão bancário dá comigo em doido. E o que ainda mais dá comigo em doido é esta estação de combios em Budapeste, Keleti pu, é a versão alargada do hospital dos malucos com direito a transmissão em directo todos os dias do natal dos hospitais, então, não é que um gajo quando vou para ir trocar dinheiro mete-se entre mim e a porta, impedindo-me de entrar, nem sei o que queria só lhe mandem um berro que funcionou de duas maneiras, uma de ele se afastar e a outra colocou-o a praguejar não sei o quê em húngaro.
Vi a linha de onde o comboio partia e dirigi-me para lá, tirei o lanche que tinha preparado de véspera e comi qualquer coisa, agora sempre em frente a caminho de Viena, só faltava uma paragem para chegar finalmente ao destino. Tinha tido todos os sonhos e mais alguns durante a semana anterior devido à epopeia que ia fazer mas que não se justificaram, quer dizer, eu estava nervoso, apenas isso, achei-me estúpido por tanto alarido.
A caminho de Viena, no comboio, ia com a mente mergulhada numa fantasia que me fazia perder pela paisagem, sentia-me a voar para tão longe que não reconheci qualquer terra por onde passei nesse sonho acordado.
Finalmente cheguei à estação, parei para um cigarro e telefonar ao meu amigo Pablo, ele disse-me para nos encontrarmos na entrada do metro que ficava na estação, vinha a caminho, no entretanto fiquei a observar as pessoas e continuei com aquele sorriso estúpido na cara, restos de sonho ainda.
Entretanto ele chegou, vinha ensonado, olhámos um para o outro nevosos, com uma estranha expectativa nos olhos, havia uma magia no ar que nos cortava o som das palavras, perdi-me pelos olhos bondosos dele, pela face meiga, depois deixei-o ainda mais nervoso quando lhe perguntei que tens, algum problema, ele respondeu-me que não mas havia aquele misto de nos querermos encontrar e ao mesmo tempo de fugir. O nervoso era tanto que eu esquecera-me de falar fosse português, portunhol ou castelhano, falava inglês como se não houvesse amanhã, ele também já se confundia todo, assim continuávamos rumo à residência dele pelo metro. Saímos do metro e ele perguntou-me se queria apanhar o tram ou se queria ir cinco minutos a pé, escolhi irmos a pé, gosto assim de andar no meio da gente, de aproveitar cada passo rumo ao desconhecido mesmo que sejam com duas malas de grande porte e pesadas que ele gentilmente se prontificou a ajudar-me a carrega-las. Entrámos na residência, no elevador depois, um cheiro a beijo no ar, um toque leve nos lábios para o ardor que depois se iria fazer sentir sem qualquer surpresa entre quatro paredes e uma cama.
Largámos as malas num canto qualquer do quarto, demorei-me a olhar para o meu redor, era inevitável queríamos entregar-nos um ao outro, sem pressa, nos braços dele experimentei a leve sensação de me encontrar mais perto de casa, de sentir finalmente um abrigo Ibérico, acho que ele sentiu o mesmo pois o ditado está velho quando diz que de Espanha nem bom vento nem bom casamento, as picardias Ibéricas, agora, resolvem-se num solero vadio de fado e se trouxer o vento e com ele o casamento ainda melhor.
Depois do sexo, há sempre a fome, uma sem a outra não vivem, há uma certa combinação, um certo ritual que deve ser mantido e preservado. Fomos a caminho do supermercado, depois cozinhámos, ele perguntou-me o queria fazer, disse que poderíamos ver um filme, com tanto sonho e não tinha dormido ainda, estava com saudades de Almodovar da sua visão e foi por aí que nos decidimos. Adormeci, quando acordei já eram horas do jantar, mais uma entrega, mais fome, cozinhei, fomos jantar e dava gosto vê-lo comer, nunca tinha visto ninguém comer tanto na minha vida, olhava para ele e dizia mas tu não vais conseguir comer isso tudo em tom de desafio, a verdade é que foi.
Fomos para ir a um bar, acabámos por entrar num e sair porque não tínhamos lugar para nos sentar e depois como saímos tarde de casa e o metro iria fazer a sua última viagem dentro de pouco tempo, decidimos voltar para casa. Mais um filme, mais uns beijos e caí redondo a dormir ao lado dele. Acordámos a horas impróprias, numa sede de entrega mais uma vez, de libertação estando cada vez mais preso, num beijo voltámos a dormir, acordei pouco tempo depois, dormitei mais um pouco, olhei para o tecto, vi a luz cinzenta a entrar pela janela do quarto, apeteceu-me fumar, sair da cama mas o corpo dele continuava ao meu lado a dormir sereno, não queria entrar nos sonhos dele, apetecia-me somente dar uma volta, por isso, ligeiramente acordei-o, queria que ele não perdesse o sorriso que ostentava e por isso de leve disse-lhe que ia tomar um banho e que depois ia dar uma volta, ele advertiu-me que tudo estaria fechado mesmo assim queria ir e fui.
As ruas estavam vazias, eram poucos os carros, as pessoas amiúde acordavam, os trams passavam quase vazios, era a manhã de um domingo cinzento a ameaçar chuva pois assim o vento soprava em todas as direcções, enfiem-me num café, fiquei ali a ler jornais e depois dei uma volta pelas redondezas, depois fui comer qualquer coisa, ainda tive tempo de telefonar ao Guilherme para saber as últimas novidades e lhe contar como estava feliz por ir voltar a casa, fiquei com o coração nas mãos mas também contente quando ele me disse que ia para a Palestina fazer uma reportagem.
Liguei-lhe para ele me abrir a porta, ele ainda estava a dormir, veio, ficámos a ver o tempo passar um bocadinho, eu a escrever, ele a estudar, depois ele almoçou eu não quis já tinha comido à pouco tempo, depois a Filipa ligou-me, estive a falar com ela, de seguida vimos um filme e num nada já eram horas de rumar ao aeroporto.
Apanhámos um tram, depois apanhámos o metro, tirámos o bilhete que ele com tanto cuidado fez questão de me explicar tudo, fizemos tempo à espera do comboio que passava pelo aeroporto, deu-me um beijo de despedida e eu cheguei ao aeroporto. Mandei-lhe uma mensagem a agradecer o dia fantástico que passei na companhia dele e com a esperança de o rever em breve despedi-me.
Antes de ir de férias! (com vídeos)
Depois da pequena cirurgia e os dias que ela me deu de descanso era tempo de voltar ao trabalho, não ia ter muito para fazer a não ser tratar de detalhes do intercâmbio entre Portugal – Hungria e a apresentação da minha agenda para quando depois de chegar. Graças à minha mais do que tudo e amiga Lucília a primeira tarefa resolvi-a bem embora quando chegar tenha de terminar umas coisas mas graças a Deus tenho até principio de Abril. Já a segunda espera-me quando chegar pois La Madamme acha que eu preciso é de descansar e que todo o meu ser é saudade e temos tempo para falar disso quando chegar, também, já temos as coisas alinhavadas por isso será só um mero exercício de calendarização e depois a sua preparação e efectivação, trabalho portanto espera-me. Por isso mesmo e por mais razões a viagem à Transilvânia fica adiada e sem data marcada, tenho pena porque quero muito conhecer aquela região e porque perdemos uns preços assim fantásticos do outro mundo, compenso depois com a viagem a Dublin na primeira semana de Março.
Na segunda-feira as raparigas chegaram da Dinamarca, o mesmo silêncio voltou a povoar o quarto mas agora já não me importa, pouco a pouco as coisas estão a voltar ao seu lugar e cada um consegue compreender as razões dos outros, assim o espero, senão também são lições que se tiram da vida mais a mais.
Dia a seguir tinha de ir tratar umas coisas no centro e o meu espanto foi que ninguém excepto eu foi trabalhar, tudo na boa vida como se estivesse de férias a dormir até tarde mas também não tenho nada a ver com isso e nem quero ter qualquer relação com o assunto, claro que quando chego ao centro me perguntam por eles mas eu respondi que não sou pai de ninguém que eu saiba e que todos somos adultos nesta relação e podem falar com os próprios assim de igual para igual. Antes de entrar no centro, encontrei a Brigi que correu para me abraçar e pelo caminho até à sala de La Madamme ia encontrando os miúdos que me sorriam e alegremente me acenavam bons dias, é mesmo bom receber essa recepção, enche-me de orgulho porque primeiro os húngaros não são dados a dizerem bom dia ou coisa do género e segundo porque quem trabalha com jovens e crianças sabe que este é o ponto que une a ponte que é aqui que começa uma relação de amor.
Depois acho que aquele mentor além de não gostar de mim e ser um péssimo actor a demonstrar o contrário irritou-me porque não tendo eu a minha La Patti, que estava em Budapeste em exames, era ele que me ia traduzir as coisas, então o querido só me traduzia às metades, a sorte foi que entendi com o sexto sentido ou com o que quiserem chamar, de qualquer forma, não deixei de achar rídiculo o facto mais quando é com ele que tenho de trabalhar no intercâmbio, enfim, cenas dos próximos capítulos.
Tudo foi mais ou menos burocrático nesta semana antes de ir de férias, estava difícil que nos pagassem e eu a precisar de comprar os bilhetes de comboio para ir a Viena passar o fim-de-semana e apanhar o avião para Lisboa, entretanto, tive o meu meeting na quarta-feira para receber o meu pocket money e na quinta-feira outro meeting para assinar papelada e últimos detalhes.
Assim que recebi o meu pocket money fui com La Patti à estação comprar os bilhetes, eu não sei o que é mas a palavra Portugália por estas bandas é como uma espécie de password a um mundo nunca antes visto, foi assim que depois a senhora que vendia os bilhetes ficou tão simpática e generosa e foi à procura de uns bilhetes que são limitados e só aos fim-de-semana para as capitais da Europa, assim vou para Viena, na módica quantia de treze euros, isto é só um bilhete, na totalidade ficou em dez mil forints que são mais coisa menos coisa que quarenta euros, porque tenho de comprar bilhete para ir até Budapeste de lá apanhar o comboio para Viena e depois quando retornar fazer o caminho inverso, se compararmos o preço da viagem no Alfa-Pendular Lisboa – Porto, esta viagem é muito barata pois não só atravesso toda a Hungria de uma ponta à outra e rasgo a fronteira de um outro país. O dia estava mesmo a começar bem, afinal pela primeira vez não tinha tido o estranho sonhado de três noites a fio sempre acordar pela mesma hora, seis da manhã, como também a tudo acerca da minha viagem estava oficialmente concluído.
Ok! Nada é perfeito, eu e La Patti continuamos sem conseguir ver o filme que queremos ver pelo pequeno problema das legendas...
A quinta-feira seria bombástica, já estava previsto, pois ia dar uma festa para celebrar a minha ida de férias, na mesma ocasião tinha de beber uma garrafa de Pálinka com La Patti devido à nossa aposta de se a French girl voltava ou não depois do natal, ganhei eu e livrei-me de ter de pintar as unhas dos pés de verde e assim graças a ela ter voltado La Patti vai pintar as unhas de um verde à minha escolha.
Mas a quinta-feira foi ainda mais bombástica do que estava previsto, algumas considerações pessoais que não posso fazê-las devido a este blog estar constantemente a ser alvo de espionagem mas pouco a pouco e como sei que vocês são muito inteligentes vão perceber o porquê.
A caminho do centro, iniciou-se uma guerra de bolas de neve, até porque eu tinha convidado para a minha festa as raparigas, na altura ainda não sabia se tinha feito bem ou não, uma vez que por estar sempre abrir o meu coração levo sempre porrada depois, até agora as coisas estão no seu melhor depois do que podemos chamar de guerra fria e da batalha do Sul e Norte. A ver vamos, deixo-vos com vídeo, por agora ...
Chegados ao centro, era tempo de esperar, uma vez que eu ia para o meu segundo meeting e eles para o primeiro. Enquanto se esperava, foram passando os miúdos e outra vez aquele afecto, um deles até disse André the God, o que foi um espanto para todos até mesmo para mim. Depois apareceu a Brigi e aquele abraço, ficou por lá e foi tão divertido e já que estava com a máquina teve direito a filme. As imagens falam por si ... Brigi é a minha estrela em Miskolc!
Depois do meu meeting, mais alguns detalhes no mesmo, Ah, Crampus já marcou a data da sua saída assim como a Miss, ela vai a 14 de Fevereiro, ele a 3 de Março, no mesmo dia que eu e La Patti vamos para Dublin, no dia 4 de Fevereiro chega a nova voluntária da Bélgica.
De seguida, fomos para o Clube pois íamos ter Democracy training com a apresentação da Suécia por parte de Crampus.
Mais uma vez deixo a opinião para um dia quiçá na parte mais alargada deste blog (Sim, vocês já pensam que isto é longo demais, mas não é tudo, na vida à sempre mais um lado B, eu tento pôr tudo mas nem sempre é possível, quem sabe num dia num toda a verdade ou um livro ...)

Um vez que não ia cá estar em Janeiro para utilizar o meu bilhete mensal de transportes perguntei a La Madamme se algum dos jovens ainda não tinha comprado, ela indicou-me o Tomi e assim dei-lhe o mesmo, ele ficou surpreso e deu-me um rasgado Koszonom Szépen!
Segui-se o jantar, não sei antes o outro querido mentor ter feito uma coisa que me escandalizou de rir, então não é que o querido dá boleia à Miss e a Crampus, sim porque desta vez houve finalmente a separação dos dois projectos aqui, por isso Cannibal Queen e French Girl não alinharam no programa de festas, continuando a história, dá-lhes boleia e dirige-se a La Patti e diz tu levas o André, como se eu fosse algum saco de batatas para ser transportado e ainda por cima preterido, que a mim não me aqueceu nem arrefeceu a história pois também não lhe tenho simpatia, simplesmente, achei piada pela forma inusitada como se apanha as pessoas numa mentira ou farsa.
Sim, o jantar, cheguei ao Uni-Hotel depois da boleia de La Patti, que ainda ia a casa e depois retornava. Eu comecei a preparar o jantar, Spaghetti à la Carbonara, sim porque é o mais fácil de cozinhar quando se tem tanta gente, iam ser uma data de pessoas, ainda mais porque com a bebedeira da noite passada tinha convidado três húngaros a meio da noite para se juntarem, uma vez que vão ser os meus futuros colegas de futebol.
Eles não apareceram mas avisaram, a alemã chegou atrasada, as raparigas estavam contidas, e no entretanto eu e La Patti a sós com duas garrafas de Pálinka, tínhamos combinado com Crampus e a alemã de irmos ter com eles à Disco mas com tanto álcool eu e La Patti adormecemos.
No dia a seguir contam as más línguas e o estado do quarto que depois de La Patti acordar e ir embora, eu sem controle algum e também sem recordar absolutamente nada depois de se abrir a segunda garrafa de Pálinka, tive coisas infelizes, de manhã fiquei muito chateado comigo e ainda mais com La Patti porque não estava nos planos beber até rebentar e ela quer sempre mais, eu queria ter ido dançar e festejar, fazer da vida uma festa não aquilo que tinha sido, tive uma conversa com ela, eu compreendo que a cultura deles é assim e já me deixei levar por ela uma data de vezes mas não é isto que quero para mim. É insustentável esta condição. Mas tristezas não pagam dividas e nem as amizades vivem disso, apenas temos de saber tirar as lições adequadas de cada situação e às vezes temos de ser mais severos connosco próprios e com os outros.
Dormi pouco, andei cansado o dia todo, nem fui ao médico com toda esta história e ele queria-me ver antes de ir, depois ainda fiz umas pequenas compras, fiz as malas, continuava a não conseguir dormir, sentia o corpo um farrapo, quando me deitei no quarto ao lado, o Nordic Club assistia a um filme com um volume altíssimo, riam e comentavam o filme muito alto, não consegui dormir. O comboio iniciava marcha às 6h28 e La Patti ia pôr-me à estação por isso fiquei acordado todo o tempo.
Por qualquer imprevisto alheio a mim foi-me impossível colocar os vídeos, voltarei a tentar ... Peço desculpa, obrigado!
Na segunda-feira as raparigas chegaram da Dinamarca, o mesmo silêncio voltou a povoar o quarto mas agora já não me importa, pouco a pouco as coisas estão a voltar ao seu lugar e cada um consegue compreender as razões dos outros, assim o espero, senão também são lições que se tiram da vida mais a mais.
Dia a seguir tinha de ir tratar umas coisas no centro e o meu espanto foi que ninguém excepto eu foi trabalhar, tudo na boa vida como se estivesse de férias a dormir até tarde mas também não tenho nada a ver com isso e nem quero ter qualquer relação com o assunto, claro que quando chego ao centro me perguntam por eles mas eu respondi que não sou pai de ninguém que eu saiba e que todos somos adultos nesta relação e podem falar com os próprios assim de igual para igual. Antes de entrar no centro, encontrei a Brigi que correu para me abraçar e pelo caminho até à sala de La Madamme ia encontrando os miúdos que me sorriam e alegremente me acenavam bons dias, é mesmo bom receber essa recepção, enche-me de orgulho porque primeiro os húngaros não são dados a dizerem bom dia ou coisa do género e segundo porque quem trabalha com jovens e crianças sabe que este é o ponto que une a ponte que é aqui que começa uma relação de amor.
Depois acho que aquele mentor além de não gostar de mim e ser um péssimo actor a demonstrar o contrário irritou-me porque não tendo eu a minha La Patti, que estava em Budapeste em exames, era ele que me ia traduzir as coisas, então o querido só me traduzia às metades, a sorte foi que entendi com o sexto sentido ou com o que quiserem chamar, de qualquer forma, não deixei de achar rídiculo o facto mais quando é com ele que tenho de trabalhar no intercâmbio, enfim, cenas dos próximos capítulos.
Tudo foi mais ou menos burocrático nesta semana antes de ir de férias, estava difícil que nos pagassem e eu a precisar de comprar os bilhetes de comboio para ir a Viena passar o fim-de-semana e apanhar o avião para Lisboa, entretanto, tive o meu meeting na quarta-feira para receber o meu pocket money e na quinta-feira outro meeting para assinar papelada e últimos detalhes.
Assim que recebi o meu pocket money fui com La Patti à estação comprar os bilhetes, eu não sei o que é mas a palavra Portugália por estas bandas é como uma espécie de password a um mundo nunca antes visto, foi assim que depois a senhora que vendia os bilhetes ficou tão simpática e generosa e foi à procura de uns bilhetes que são limitados e só aos fim-de-semana para as capitais da Europa, assim vou para Viena, na módica quantia de treze euros, isto é só um bilhete, na totalidade ficou em dez mil forints que são mais coisa menos coisa que quarenta euros, porque tenho de comprar bilhete para ir até Budapeste de lá apanhar o comboio para Viena e depois quando retornar fazer o caminho inverso, se compararmos o preço da viagem no Alfa-Pendular Lisboa – Porto, esta viagem é muito barata pois não só atravesso toda a Hungria de uma ponta à outra e rasgo a fronteira de um outro país. O dia estava mesmo a começar bem, afinal pela primeira vez não tinha tido o estranho sonhado de três noites a fio sempre acordar pela mesma hora, seis da manhã, como também a tudo acerca da minha viagem estava oficialmente concluído.
Ok! Nada é perfeito, eu e La Patti continuamos sem conseguir ver o filme que queremos ver pelo pequeno problema das legendas...
A quinta-feira seria bombástica, já estava previsto, pois ia dar uma festa para celebrar a minha ida de férias, na mesma ocasião tinha de beber uma garrafa de Pálinka com La Patti devido à nossa aposta de se a French girl voltava ou não depois do natal, ganhei eu e livrei-me de ter de pintar as unhas dos pés de verde e assim graças a ela ter voltado La Patti vai pintar as unhas de um verde à minha escolha.
Mas a quinta-feira foi ainda mais bombástica do que estava previsto, algumas considerações pessoais que não posso fazê-las devido a este blog estar constantemente a ser alvo de espionagem mas pouco a pouco e como sei que vocês são muito inteligentes vão perceber o porquê.
A caminho do centro, iniciou-se uma guerra de bolas de neve, até porque eu tinha convidado para a minha festa as raparigas, na altura ainda não sabia se tinha feito bem ou não, uma vez que por estar sempre abrir o meu coração levo sempre porrada depois, até agora as coisas estão no seu melhor depois do que podemos chamar de guerra fria e da batalha do Sul e Norte. A ver vamos, deixo-vos com vídeo, por agora ...
Chegados ao centro, era tempo de esperar, uma vez que eu ia para o meu segundo meeting e eles para o primeiro. Enquanto se esperava, foram passando os miúdos e outra vez aquele afecto, um deles até disse André the God, o que foi um espanto para todos até mesmo para mim. Depois apareceu a Brigi e aquele abraço, ficou por lá e foi tão divertido e já que estava com a máquina teve direito a filme. As imagens falam por si ... Brigi é a minha estrela em Miskolc!
Depois do meu meeting, mais alguns detalhes no mesmo, Ah, Crampus já marcou a data da sua saída assim como a Miss, ela vai a 14 de Fevereiro, ele a 3 de Março, no mesmo dia que eu e La Patti vamos para Dublin, no dia 4 de Fevereiro chega a nova voluntária da Bélgica.
De seguida, fomos para o Clube pois íamos ter Democracy training com a apresentação da Suécia por parte de Crampus.
Mais uma vez deixo a opinião para um dia quiçá na parte mais alargada deste blog (Sim, vocês já pensam que isto é longo demais, mas não é tudo, na vida à sempre mais um lado B, eu tento pôr tudo mas nem sempre é possível, quem sabe num dia num toda a verdade ou um livro ...)
Um vez que não ia cá estar em Janeiro para utilizar o meu bilhete mensal de transportes perguntei a La Madamme se algum dos jovens ainda não tinha comprado, ela indicou-me o Tomi e assim dei-lhe o mesmo, ele ficou surpreso e deu-me um rasgado Koszonom Szépen!
Segui-se o jantar, não sei antes o outro querido mentor ter feito uma coisa que me escandalizou de rir, então não é que o querido dá boleia à Miss e a Crampus, sim porque desta vez houve finalmente a separação dos dois projectos aqui, por isso Cannibal Queen e French Girl não alinharam no programa de festas, continuando a história, dá-lhes boleia e dirige-se a La Patti e diz tu levas o André, como se eu fosse algum saco de batatas para ser transportado e ainda por cima preterido, que a mim não me aqueceu nem arrefeceu a história pois também não lhe tenho simpatia, simplesmente, achei piada pela forma inusitada como se apanha as pessoas numa mentira ou farsa.
Sim, o jantar, cheguei ao Uni-Hotel depois da boleia de La Patti, que ainda ia a casa e depois retornava. Eu comecei a preparar o jantar, Spaghetti à la Carbonara, sim porque é o mais fácil de cozinhar quando se tem tanta gente, iam ser uma data de pessoas, ainda mais porque com a bebedeira da noite passada tinha convidado três húngaros a meio da noite para se juntarem, uma vez que vão ser os meus futuros colegas de futebol.
Eles não apareceram mas avisaram, a alemã chegou atrasada, as raparigas estavam contidas, e no entretanto eu e La Patti a sós com duas garrafas de Pálinka, tínhamos combinado com Crampus e a alemã de irmos ter com eles à Disco mas com tanto álcool eu e La Patti adormecemos.
No dia a seguir contam as más línguas e o estado do quarto que depois de La Patti acordar e ir embora, eu sem controle algum e também sem recordar absolutamente nada depois de se abrir a segunda garrafa de Pálinka, tive coisas infelizes, de manhã fiquei muito chateado comigo e ainda mais com La Patti porque não estava nos planos beber até rebentar e ela quer sempre mais, eu queria ter ido dançar e festejar, fazer da vida uma festa não aquilo que tinha sido, tive uma conversa com ela, eu compreendo que a cultura deles é assim e já me deixei levar por ela uma data de vezes mas não é isto que quero para mim. É insustentável esta condição. Mas tristezas não pagam dividas e nem as amizades vivem disso, apenas temos de saber tirar as lições adequadas de cada situação e às vezes temos de ser mais severos connosco próprios e com os outros.
Dormi pouco, andei cansado o dia todo, nem fui ao médico com toda esta história e ele queria-me ver antes de ir, depois ainda fiz umas pequenas compras, fiz as malas, continuava a não conseguir dormir, sentia o corpo um farrapo, quando me deitei no quarto ao lado, o Nordic Club assistia a um filme com um volume altíssimo, riam e comentavam o filme muito alto, não consegui dormir. O comboio iniciava marcha às 6h28 e La Patti ia pôr-me à estação por isso fiquei acordado todo o tempo.
Por qualquer imprevisto alheio a mim foi-me impossível colocar os vídeos, voltarei a tentar ... Peço desculpa, obrigado!
terça-feira, 8 de Janeiro de 2008
Countdown to Lisboa
Na sexta feira apanho o comboio de Miskolc para Budapeste de lá apanho para Viena, chegado lá encontro-me com um novo amigo, um novo bilhete na mão para mais uma volta no carrossel.
Será que do alto da roda gigante vou ver Viena com outros olhos?
Passo a noite em Viena, acordo nos braços dele, com novos sonhos, com mais um pesadelo ou apenas não me vou lembrar de nada, de qualquer forma, passo o dia a contar as horas ou a tentar fazer delas eternas. Chegarei a horas ao Check-In, vou esperar na fila, assim que colocar a mala vou respirar de alívio porque não a perdi ou me a roubaram, recebo o cartão de embarque, vejo qual é a porta de embarque e vou fumar mais uns cigarros de rajada para me preparar que não vou poder fumar até sair das portas para fora do Aeroporto de Lisboa, faço figas para que não percam a minha mala e não receber nenhuma surpresa chegado a Lisboa. Dirijo-me à porta de embarque, depois do stress de passar pelos detectores de metais, de tirar o cinto das calças, tirar o computador para fora, depois o casaco, depois o relógio e pôr tudo o que tenho nos bolsos. Fechar os olhos para o detector de metais não apitar mas lá vou eu para a apalpação porque aquilo apita sempre. Voltar a pôr tudo no lugar rapidamente porque os cestos vão chegando e eu fico atrapalhado. Depois respiro fundo e tento não me chatear com as pessoas que passam à minha frente na fila. Entro no avião, tiro o casaco, ponho a mala em cima do meu assento, ponho o cinto, também música às escondidas para suavizar o meu terror de voar.
Aterro às 23h55, agradeço aos céus, por ter chegado de novo à cidade que inunda o meu coração, tenho pressa de mostrar a identificação para depois correr a ir buscar a mala. Lá fora está o J. à minha espera, dou-lhe logo um abraço escandaloso de saudades, acendo, finalmente um cigarro, rumo a casa dos meus pais, vão-me correr lágrimas quando os voltar a ter nos meus braços. Vou para a mesa porque tenho um fantástico cozido à portuguesa feito pela mamã, despeço-me deles por mais um bocadinho, vou para minha casa, abro a janela, vou para a varanda e fumo um cigarro a ver a minha ponte iluminada à noite e o rio. Cheguei a casa!
Acordo, isto é se conseguir dormir, vou depressa cortar o cabelo pois tal não é possível na Hungria pelo menos para mim.
Regresso a matar as saudades ...
Sim vou a Lisboa por duas semanas, férias são a palavra de ordem, diversão uma divisa, aquele sentimento de me sentir pequenino na minha própria mão é o vento de Lisboa a bater-me na cara.
Vocês vão ver tudo isso porque vou actualizando o blog ... Por agora despeço-me até à próxima semana porque há muita coisa para fazer e deixar feita para depois voltar.
Será que do alto da roda gigante vou ver Viena com outros olhos?
Passo a noite em Viena, acordo nos braços dele, com novos sonhos, com mais um pesadelo ou apenas não me vou lembrar de nada, de qualquer forma, passo o dia a contar as horas ou a tentar fazer delas eternas. Chegarei a horas ao Check-In, vou esperar na fila, assim que colocar a mala vou respirar de alívio porque não a perdi ou me a roubaram, recebo o cartão de embarque, vejo qual é a porta de embarque e vou fumar mais uns cigarros de rajada para me preparar que não vou poder fumar até sair das portas para fora do Aeroporto de Lisboa, faço figas para que não percam a minha mala e não receber nenhuma surpresa chegado a Lisboa. Dirijo-me à porta de embarque, depois do stress de passar pelos detectores de metais, de tirar o cinto das calças, tirar o computador para fora, depois o casaco, depois o relógio e pôr tudo o que tenho nos bolsos. Fechar os olhos para o detector de metais não apitar mas lá vou eu para a apalpação porque aquilo apita sempre. Voltar a pôr tudo no lugar rapidamente porque os cestos vão chegando e eu fico atrapalhado. Depois respiro fundo e tento não me chatear com as pessoas que passam à minha frente na fila. Entro no avião, tiro o casaco, ponho a mala em cima do meu assento, ponho o cinto, também música às escondidas para suavizar o meu terror de voar.
Aterro às 23h55, agradeço aos céus, por ter chegado de novo à cidade que inunda o meu coração, tenho pressa de mostrar a identificação para depois correr a ir buscar a mala. Lá fora está o J. à minha espera, dou-lhe logo um abraço escandaloso de saudades, acendo, finalmente um cigarro, rumo a casa dos meus pais, vão-me correr lágrimas quando os voltar a ter nos meus braços. Vou para a mesa porque tenho um fantástico cozido à portuguesa feito pela mamã, despeço-me deles por mais um bocadinho, vou para minha casa, abro a janela, vou para a varanda e fumo um cigarro a ver a minha ponte iluminada à noite e o rio. Cheguei a casa!
Acordo, isto é se conseguir dormir, vou depressa cortar o cabelo pois tal não é possível na Hungria pelo menos para mim.
Regresso a matar as saudades ...
Sim vou a Lisboa por duas semanas, férias são a palavra de ordem, diversão uma divisa, aquele sentimento de me sentir pequenino na minha própria mão é o vento de Lisboa a bater-me na cara.
Vocês vão ver tudo isso porque vou actualizando o blog ... Por agora despeço-me até à próxima semana porque há muita coisa para fazer e deixar feita para depois voltar.
segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008
Parabéns Daniel!

Ainda me lembro de te ter provocado o parto, estava eu e o Tiago a brincar na sala e a mãe disse-nos para arrumarmos os brinquedos e irmos dormir, só que eu e o teu irmão do meio não estávamos nessa, vai daí a mãe foi apanhar os brinquedos e puff não se fez o Chocapic mas começavas a dar inicio à viagem que te trazia à luz. Depois só me lembro, do Joel e Samuel, virem-nos buscar a mim e ao Tiago, recordo-me que o Tiago e aos ombros do Samuel e eu nos do Joel.
Quando eras o caçula, e no meu coração vais sempre sê-lo para mim, tinhas a mania que querias ser bombeiro, ainda me lembro de te ver feliz quando recebeste o teu primeiro camião dos Bombeiros, tinhas a pancada por macacos, quando a mãe nos comprava pacotes de leite com chocolate, que tinham várias fotografias de animais, aquele que tinha a do macaco era sempre o teu senão fazias uma birra do caraças. Nunca vi ninguém chorar como tu e o Tiago, embora o do teu querido irmão era o mais irritante.
Tu, puto xarila macaco sem pila que agora tens a mania que és grande, precisas de juízo por isso é aquilo que te vou oferecer, além do meu amor incondicional, amo-te muito meu irmão, hoje fazes 18 anos e parece que ainda foi ontem que te provoquei o parto para tu nasceres, parece que não foi à muito tempo que ainda brincávamos no chão do quarto. Tem um dia muito feliz e nunca te esqueças que te amo muito.
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